OPINIÃO


LUCAS VILLIGER




​A pífia “Terceira Via” que nunca existiu


Somando a porcentagem de todos os candidatos, intenção de voto nem chega perto de Bolsonaro e Lula

Adicionado em 22/09/2022 às 08:26:01

Nem Lula, nem Bolsonaro. Essa foi a frase proferida muitas vezes por candidatos, influenciadores, jornalistas e analistas políticos. Porém, a fatia da população que não quer nem Lula e nem Bolsonaro é tão insignificante que iguala a porcentagem de intenção de voto no Ciro Gomes (terceiro colocado nas pesquisas, com somente 6%). 

Segundo pesquisa divulgada no dia 13 de setembro pelo Instituto Datafolha, somente 6% dos brasileiros rejeitam os dois candidatos que lideram a corrida presidencial. Esse número já é suficiente para explicar o motivo pelo qual a dita “Terceira Via” jamais colocou um pingo de medo no Bolsonaro (PL) e no Lula (PT). Sendo assim, ela morreu antes mesmo de nascer. 

Muitos queriam liderar essa fantasiosa terceira força capaz de furar as expectativas e conseguir, pelo menos, chegar no segundo turno. Sérgio Moro, Eduardo Leite e João Dória tentaram e desistiram, comprovando que a desvinculação com a figura do Bolsonaro os tornaram ‘órfãos políticos’. Os atuais três nomes mais fortes que tentam ser a utópica terceira via, juntos, chegam aos insignificantes 12% nas pesquisas

Ou seja, a “Terceira Via”, fragmentada e fraca, nunca existiu, não existe e jamais existirá nesta eleição. O que comprova os números é a pesquisa divulgada pela Genial/Quaest nesta quarta-feira, 21, que mostrou a discrepância dos percentuais dos dois principais candidatos em relação aos demais figurantes. Nada de novo, inclusive pesquisas anteriores também retratavam esse cenário. 

Simone Tebet (MDB), até então desconhecida, chegou no cenário nacional através do holofote da 'CPI da Covid-19'. A emedebista chega no pleito representando uma política de carreira nata, com o tradicionalismo enfraquecido do MDB ela tem 5% nas pesquisas. Soraya Thronicke (União Brasil), por sua vez, chegou na política surfando na onda Bolsonaro em 2018, e agora representa o que restou do PSL (agora União Brasil). Com seu 1% nas pesquisas, Soraya comprova, mais uma vez, o deserto de eleitores após seu rompimento com o presidente da república. 

O mais forte dos nomes da “Terceira Via”, Ciro Gomes (PDT) soma 6% das intenções de votos, sendo o candidato que tenta resgatar a 'velha esquerda', uma vez que sua campanha tem ataques pesados ao ex-presidente Lula e ao PT. O pedetista porém, não consegue subir nas pesquisas e mostra assim a preferência da esquerda brasileira pelo Partido dos Trabalhadores e suas novas promessas. 

Sendo assim, o cenário para o pleito presidencial está bem defino: um primeiro turno de protocolo e um segundo turno que irá realmente decidir o futuro da nação. O Brasil terá que escolher entre a direita conservadora de Bolsonaro ou a esquerda progressista de Lula. Sem dúvidas, essa já é a maior eleição de todos os tempos. Nunca na história do Brasil os papéis foram tão bem definidos quanto agora. 

Quanto aos que criticam a polarização, digo-lhes uma coisa: a polarização sempre existiu e sempre existirá. Já escrevi sobre isso em outro artigo, mas não custa reforçar que sem militância organizada, sem o domínio dos polos, ninguém consegue votos suficientes para chegar no segundo turno. E hoje, no Brasil, só quem possui esses dois fatores é Bolsonaro e Lula. Dia 2 de outubro será apenas o termômetro, o verdadeiro dia das eleições presidenciais acontecerá no dia 30/10/2022.




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